REVISTA DE PSICOLOGIA -GEPU-
ISSN 2145-6569
IBSN 2145-6569-0-7

   
 
  TESTAGEM DE UM MODELO TEÓRICO ENTRE AFILIAÇÃO SÓCIO-NORMATIVA, HÁBITOS DE LAZER E CONDUTAS DEVIANTES EM JOVENS BRASILEIROS

TESTAGEM DE UM MODELO TEÓRICO ENTRE AFILIAÇÃO SÓCIO-NORMATIVA, HÁBITOS DE LAZER E CONDUTAS DEVIANTES EM JOVENS BRASILEIROS
 

Nilton S. Formiga; Amanda V. Aguiar; Ayla D. Ribeiro; Rebeca C. Pires

 

 

 
 

Universidade Federal da Paraíba / Brasil
 

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Nilton S. FormigaDoutor em Psicologia Social pela Universidade Federal da Paraíba; atualmente é professor no curso de Psicologia na Faculdade Mauricio de Nassau-JP. Endereço para correspondência: Avenida Guarabira, 133. Manaíra. Brasil. CEP.: 58140-030. João Pessoa - PB.. E-mail: nsformiga@yahoo.com


Amanda V. Aguiar; Ayla D. Ribeiro; Rebeca C. Pires. Alunas do curso de Psicologia na Faculdade Mauricio de Nassau-JP. Brasil



Recibido: 21 de Octubre de 2013
Aprobado: 15 de Mayo de 2014

 


Referencia Recomendada: Formiga, N., Aguiar, A., Ribeiro, A. & Pires, R. (2014). Testagem de um modelo teórico entre afiliação sócio-normativa, hábitos de lazer e condutas deviantes em jovens brasileiros. Revista de Psicología GEPU, 5 (1), 22-35. 
 

Resumo: O presente estudo pretende avaliar, a partir de uma revisão metodológica e estatística o modelo teórico publicado em 2012, com as mesmas variáveis; apesar de se observar resultados aceitáveis ele divergem da proposta teórica e metodológica desenvolvida pelos autores. Para isso, será verificado um modelo que contemple as variáveis como um construto psicológico ao invés de variáveis observadas. Hipotetiza-se que a afiliação sócio-normativa influencie, positivamente, os hábitos de lazer instrutivos e lúdicos e negativamente, as condutas desviantes. Por outro lado, espera-se um resultado inverso, com os pares associando-se negativamente, com lazer hedonista e condutas desviantes, com estas últimas, positivamente relacionadas. 340 jovens entre 15 a 20 anos, do sexo masculino e do sexo feminino, responderam os seguintes instrumentos: afiliação com grupos sócio-normativos, atividades dos hábitos de lazer e conduta antissocial e delitiva. Realizando uma análise de modelagem de equação estrutural, os principais resultados, além de revelarem melhores indicadores estatísticos, quando comparados aos do estudo de 2012, por abordarem como construtos, estes, corroboraram a hipótese levantada.

Palavras-Chave: Lazer, Condutas desviantes, Jovens, Modelo parcimonioso.


Abstrac: The present study intends to evaluate, from a statistical and methodological review the theoretical model published in 2012, with the same variables; In spite of all the observed acceptable results, they diverge from the theoretical and methodological proposal developed by the authors. In this regard, it will be verified a model in which will contemplate the variables as a psychological construct rather than observed variables. It is hypothesized that socio-normative affiliation will influence, positively, in instructive and ludic leisure habits and influence in a negatively way, the deviant conduct. On the other hand, it is expected inverse results, with pairs associating negatively with hedonistic leisure and deviant behavior, the last ones being positively correlated. 340 young people between ages of 15 to 20 years old, both male and female, responded to the following instruments: affiliation with socio-normative groups, leisure habits activities and anti-social and deviant conduct. Performing an analysis of structural equation modeling, the main results, reveal better statistical indicators, when compared to the 2012 study, for approaching as constructs, these has corroborated with the raised hypothesis.

Key Words: Leisure, Deviant behavior, Young people, Parsimonious model.



INTRODUÇÃO 


O problema das condutas desviantes em jovens tem sugerido muitas explicações: da personalidade a desestrutura familiar, da escassez econômica e educacional as orientações culturais e a perspectiva epidemiológica (Formiga, 2011; Stoff, Breiling & Maser, 1997). Apesar das inúmeras variáveis que procuram predizer o fenômeno das distintas variações da violência (por exemplo, comportamento agressivo, uso de potencial de drogas e condutas desviantes) entre os jovens, ao acompanhar os acontecimentos na mídia brasileira em geral, elas deflagram a intensidade e manutenção desse problema na juventude brasileira tendo explicações que relacionam as formas de diversão dos jovens e as fissuras na dinâmica familiar quanto a manifestação do desvio de conduta (Formiga, Estevam, Camino, Anderson & Santos, 2010; Sanmartín, 2006).


As considerações destacadas no parágrafo acima fazem referências aos tipos e formas de diversão entre jovens e a baixa participação e envolvimento da família e da escola quanto a formação da conduta socialmente desejável nas relações interpessoais para o lazer; de acordo com Formiga, Bonato e Sarriera (2011), o lazer entre os jovens, poderá ser encontrado em sua dimensão lúdica, hedonista e instrutiva. Tomando como base de orientação para o estudo essas dimensões da diversão e a partir das observações dos acontecimentos cotidianos e os atos delituosos que eram justificados como formas de lazer (isto é, brincadeiras) apresentadas na divulgação jornalística diária, Formiga (2011) desenvolveu um estudo no qual procurou avaliar a influência dos pares sócio-normativos nos hábitos de lazer e nas condutas desviantes.


De acordo Formiga (2011), os jovens que se revelaram mais afiliados aos pares (por exemplo, família [pais], familiares e professores), maior foi a associação aos hábitos de lazer instrutivos (isto é, aqueles hábitos referentes a experiência de aperfeiçoamento e desenvolvido de atividade quanto a transmissão, habilitação e ensino de conhecimentos de forma que conduza a debates e discussões frente ao saber intelectual e de relação social e histórica familiar), com ambas, apresentando uma associação negativa com as condutas desviantes; por outro lado, os pares sócio-normativos, influenciaram (mesmo com baixo escore associativo) os hábitos hedonistas (aqueles hábitos que se referem ao consumo, enfatizando prazer individual e imediato como único bem possível do indivíduo para que alcance, unicamente, seu próprio prazer), porém, tendo os pares se associado, negativamente, as condutas desviantes, mas, com os hábitos hedonistas se associando positivamente a estas condutas. Isto é, quanto maior a relação afiliativa dos jovens com a família e a escola melhor o tipo e forma de lazer e menor a conduta desviante.


Apesar da convicção e lógico nos resultados avaliados por Formiga (2011) é que surge a proposta do presente estudo; além de existir um limite avaliativo entre essas variáveis em seu estudo, salienta-se um limite na perspectiva teórica, metodológica e estatística realizadas no estudo desse autor, a qual tem a seguinte direção: 


- No seu estudo existe um erro metodológico e teórico; este autor tomou a variável da conduta desviante como variável individual, considerando a conduta antissocial isolada da conduta delitiva. Apesar dessas condutas se apresentarem, positivamente, associadas nos resultados do seu estudo, elas, são consideradas, no mesmo trabalho, como variáveis independentes. O fato é que, de acordo com Formiga (2003) e Formiga e Gouveia (2003) e Formiga (2012), essas condutas devem ser assumidas como um construto psicológico e interdependente, isto é, quando se observa um alto escore pontuado na conduta antissocial, provavelmente, decorrerá em um alto escore na conduta delitiva. 


Tal reflexão deverá ser apontada, também, para a variável dos hábitos de lazer; Formiga (2011) também considerou os hábitos de lazer como uma variável individual, tomando-as, individualmente, os hábitos instrutivos, lúdicos e hedonistas; essa condição diverge da proposta teórica e metodológica defendida por Formiga (2012; Formiga, Santos, Viana, Andrade & Neta, 2009), pois eles, a consideram um construto psicológico, o qual vem sendo corroborado em outros estudos desenvolvidos por Formiga, Bonato e Sarriera (2011) em diferentes estados brasileiros e por Formiga (2012) em jovens de distintas escolas no Brasil.


Para ambas as variáveis, é necessário considerá-las um construto psicológico latente, as quais são compostas e delineadas por variáveis observadas (seus próprios itens) específicas definidoras do construto que pretendem avaliar.


- Outro limite encontrado no estudo de Formiga (2011) é observado em um erro estatístico; os indicadores psicométricos apresentados no modelo verificado por esse autor, especialmente, o 2/gl, está abaixo dos indicados destacados na literatura estatística (esta admite índices entre 2 e 3, aceitando-se até 5) (Hair, Anderson, Tatham & Black, 2005); tal situação sugere, que, ao não alcançar esse limites, o autor poderá ter realizado um ajuste exagerado nos erros para o modelo, pois este, foi menor que 1.00; essa condição, que sugere um excesso nos ajustes dos erros, coloca o modelo proposto pelo autor supracitado pois, a interpretação deste, merece certo cuidado para explicar a direção teórica a que este defende.


Com base nas lacunas do estudo anteriormente citado é que se reflete sobre a possibilidade de um modelo parcimonioso, procurando, com maior cuidado, a partir de uma definição mais racional e com uma base teórica e metodológica bem definida entre as variáveis, bem como, uma lógica na definição dos indicadores e ajustes estatísticos verificar um modelo entre as variáveis em questão. Partindo de tais pressupostos o presente estudo tem como objetivo, verificar a partir da análise e modelagem de equação estrutural no programa AMOS 21.0, a associação entre os pares sócio-normativos, hábitos de lazer e condutas desviantes. Hipoteticamente, espera-se que a os pares se associem, positivamente, aos hábitos de lazer lúdico e instrutivos, com estes associando-se negativamente, as condutas desviantes; por outro, espera-se que os pares se associem, negativamente, aos hábitos de lazer hedonistas, com este tipo de lazer se associando, positivamente, as condutas desviantes, mas, com os pares, ainda, se associando, negativamente, as condutas desviantes.


METODO 


Amostra


340 jovens de 15 e 20 anos, do sexo masculino e do sexo feminino, distribuídos igualmente no nível escolar fundamental e nível médio, da rede privada e pública de educação da cidade de João Pessoa – PB compuseram a amostra. Essa amostra foi não probabilística, pois o propósito era garantir a validade externa dos resultados da pesquisa. A decisão de escolher estes participantes se deveu ao fato de encontrar na literatura a existência da manifestação de condutas anti-sociais e delitivas, ainda que em magnitudes variadas, e considerá-las como um momento vivido por todo jovem.


Instrumentos 


Os participantes responderam um questionário composto das seguintes medidas:


Escala de Condutas Antissociais e Delitivas. Este instrumento, proposto por Seisdedos (1988) e validado por Formiga e Gouveia (2003) para o contexto brasileiro, compreende uma medida comportamental em relação às Condutas Antissociais e Delitivas. Tal medida é composta por quarenta elementos, distribuídos em dois fatores, como segue: o primeiro envolve as condutas antissociais, em que seus elementos não expressam delitos, mas comportamentos que desafiam a ordem social e infringem normas sociais (por exemplo, jogar lixo no chão mesmo quando há perto um cesto de lixo; tocar a campainha na casa de alguém e sair correndo). O segundo fator relaciona-se às condutas delitivas. Estas incorporam comportamentos delitivos que estão fora da lei, caracterizando uma infração ou uma conduta faltosa e prejudicial a alguém ou mesmo à sociedade como um todo (por exemplo, roubar objetos dos carros; conseguir dinheiro ameaçando pessoas mais fracas). Para cada elemento, os participantes deveriam indicar o quanto apresentava o comportamento assinalado no seu dia-a-dia. Para isso, utilizavam uma escala de resposta com dez pontos, tendo os seguintes extremos: 0 = Nunca e 9 = Sempre. 


Essa escala revelou indicadores psicométricos consistentes identificando os fatores destacados acima; para a Conduta Antissocial foi encontrado um Alpha de Cronbach de 0,86 e a Conduta Delitiva ou Delinqüente, 0,92. Considerando a Análise Fatorial Confirmatória, realizada com o Lisrel 8.0, comprovou-se essas dimensões previamente encontradas (²/gl = 1,35; AGFI = 0,89; PHI () = 0,79, p > 0,05) na análise dos principais componentes (Formiga & Gouveia, 2003). Essa escala mostrou-se fidedignidade em outras amostras, apresentando alfas entre 0,89 e 0,93 e correlações entre os fatores da conduta antisocial e delitiva acima de 0,50 (Formiga, 2003).


Escala das Atividades de Hábitos de Lazer. EAHL. Elaborado originalmente em português por Formiga, Ayroza e Dias (2005), o instrumento é composto por 24 itens que avaliam as atividades de lazer assumido por cada sujeito a respeito da sua ocupação quando não se está fazendo nada (por exemplo, Ler livros, Ler revistas, Ir a igreja, Navegar na internet, Comprar roupas, etc.). Para respondê-lo a pessoa deve ler cada item e indicar com que freqüência ocupa seu tempo quando está sem fazer nada, depois de todas suas obrigações cumpridas, utilizando para tanto uma escala de seis pontos, tipo Likert, com os seguintes extremos: 0 = Nunca e 5 = Sempre.


Em um primeiro estudo a escala revelou, a partir de uma análise exploratória, a existência de três fatores explicando em seu conjunto 27,9% da variância total, sendo os seguintes: Instrutivo (enfatizando a experiência de aperfeiçoamento e crescimento desenvolvido pelos sujeitos e tornando-os capazes de escolhas de lazer diferenciadas e exclusivas para eles, assumindo uma atividade quanto a transmissão, habilitação e ensino de conhecimentos de forma que conduza a debates e discussões frente ao saber intelectual e de relação social e histórica familiar), Lúdico (diz respeito a utilização de jogos, passeios e divertimentos em geral, apresentando um caráter instrumental do hábito, isto é, trata-se de um agir da diversão, podendo ser experimentado sozinho ou em grupo, o qual também, poder ser capaz de gerar uma socialização com outros quando vivido sozinho, por exemplo, ao jogar qualquer esporte ou passear de bicicleta o jovem poderá, nesse contexto, se relacionar com outras pessoas) e Hedonismo (refere-se aos hábitos que assumem uma característica de consumo, enfatizando prazer individual e imediato como único bem possível do indivíduo para que alcance, unicamente, seu próprio prazer). 


Os indicadores de consistência interna estiveram, respectivamente, entre 0,63 a 0,80; Formiga, Santos, Viana, Andrade e Neta (2009), avaliaram, a partir de uma Análise Fatorial Confirmatória (AFC) e da análise do Modelo de Equação Estrutural (SEM) no AMOS GRAFICS  (versão 7.0), a escala das Atividades de Hábitos de Lazer em jovens brasileiros, a qual revelou indicadores de qualidade de ajuste aceitáveis [χ2/gl (59,08/54) = 0,92, GFI = 0,98, AGFI = 0,95, RMR = 0,02, CFI = 1,00, RMSEA (90%IC) = 0,01 (0,00-0,03) CAIC = 436,32 e ECVI = 0,55] comprovando as dimensões encontradas previamente por Formiga, Ayroza e Dias (2005).


Questionário da identidade com grupos sócio-normativos Nesse instrumento, o sujeito era orientado a responder as questões referidas a sua identificação com os grupos sócio-normativos, isto é, eles deveriam assinalar, marcando com um círculo ou X numa escala tipo Likert de cinco pontos que variava de 0 = Não me Identifico totalmente a 5 = Identifico-me totalmente, o quanto se assemelhavam a cada um dos grupos referidos no questionário, por exemplo, família (pai, mãe, etc.), familiares (tios e primos) e escola (professores, diretores, etc.). Para isso, tinham como foco a contribuição que cada um deles tem, de forma contínua, para sua formação social e normativa em sua vida cotidiana; esta escala apresentou no primeiro estudo uma fatorialização de um único fator, explicando 54,33% da variância total e valor próprio de 2,17, na análise paralela a decisão unifatorial foi mantida. Por fim, ela apresentou um alfa acima de 0,70, bem como, observou-se que todos os itens que representam os grupos estiveram inter-correlacionados.


A partir de uma análise fatorial confirmatória (AFC) e do modelo de equação estrutural (MEE), o presente instrumento apresentou indicadores de ajustes recomendados na literatura vigente (Byrne, 1989; Hair, Tatham, Anderson & Black, 2005; Van De Vijver & Leung, 1997): χ2/gl = 3,44; GFI = 0,99 e AGFI = 0,98; RMR = 0,02, CFI = 0,99; RMSEA (90%IC) = 0,05 (0,01-0,13), CAIC = 71,53 e ECVI = 0,03. O instrumento proposto apresentou garantia da confiabilidade fatorial e evidências empíricas para sua aplicação e mensuração no contexto paraibano. 


Caracterização Sócio-Demográfica. Foram elaboradas perguntas que contribuíram para caracterizar os participantes deste estudo (por exemplo, sexo, idade, estado civil, classe social).


Procedimento


Para a aplicação do instrumento, o responsável pela coleta dos dados visitou a coordenação ou diretoria das instituições de ensino, falando diretamente com os diretores e/ou coordenadores para depois tentar a permissão junto aos professores responsáveis por cada disciplina, para ocupar uma aula e aplicar os questionários. Uma vez com tal autorização foi exposto sumariamente o objetivo da pesquisa, solicitando sua participação voluntária. Um único aplicador, previamente treinado, esteve presente em sala de aula. Sua tarefa consistiu em apresentar os instrumentos, solucionar as eventuais dúvidas e conferir a qualidade geral das respostas emitidas pelos respondentes. Assegurou-se a todos o anonimato e a confidencialidade das suas respostas, indicando que estas seriam tratadas estatisticamente no seu conjunto. 


No que se refere à análise dos dados desta pesquisa, utilizou-se a versão 21.0 do pacote estatístico SPSS para Windows. Foram computadas estatísticas descritivas (tendência central e dispersão). Indicadores estatísticos para o Modelo de Equações Estruturais (SEM) foram considerados segundo uma bondade de ajuste subjetiva, dada pelo 2/gl (grau de liberdade), que admite como adequados índices entre 2 e 3, aceitando-se até 5; Root Mean Square Residual – RMR - que indica o ajustamento do modelo teórico aos dados, na medida em que a diferença entre os dois se aproxima de zero. Para o modelo ser considerado bem ajustado, o valor deve ser menor que 0,05; índices de qualidade de ajuste, dados pelos GFI/AGFI, que medem a variabilidade explicada pelo modelo, e com índices aceitáveis a partir de 0,80; O Comparative Fit Índex – CFI - compara, de forma geral, o modelo estimado e o modelo nulo, considerando valores mais próximos de um como indicadores de ajustamento satisfatório; NFI - caracteriza-se por ser uma medida de comparação entre o modelo proposto e o modelo nulo e representa um ajuste incremental que varia de zero a 1 (hum) e pode ser considerado aceitável para valores superiores a 0,90; e a RMSEA, refere-se a erro médio aproximado da raiz quadrática, deve apresentar intervalo de confiança como ideal situado entre 0,05 e 0,08. (Byrne, 2001; Hair, Tatham, Anderson & Black, 2005; Joreskög & Sörbom, 1989).


RESULTADOS E DISCUSSAO


A fim de atender ao objetivo do presente estudo, considerou-se um modelo recursivo de equações estruturais. Efetuou-se uma análise e modelagem de equação estrutural no programa AMOS 21.0 para o modelo hipotetizado. Realizadas as devidas modificações nos ajustes de erro, encontrou-se um modelo adequado, este, apresentando uma razão de para o modelo 1: 2/gl = 2.33; RMR = 0,05; GFI = 0,99; AGFI = 0,97; CFI = 0.98, NFI = 0.98, RMSEA = 0,04 (0,03-0,06). Os pesos (saturações) que explicam o modelo da variável considerada dos pares sócio-normativos associou-se ( = -0,28), negativamente, com as condutas desviantes (Antissociais e Delitivas) e positivamente, com os hábitos de lazer instrutivos ( = 0,38), tendo, esta última variável, se associado negativamente, ( = -0.21) com as conduta desviantes. Todas as saturações (Lambdas, λ) estão dentro do intervalo esperado |0 - 1|, denotando não haver problemas de estimação proposta, pois todas estiveram estatisticamente diferentes de zero (t > 1,96, p < 0,05).


Através da mesma técnica estatística, verificou-se outro modelo (modelo 2) que contemplou os hábitos de lazer lúdico, variável esta influenciada pelos pares sócio-normativos, os quais influenciam as condutas desviantes; realizadas as devidas modificações de ajuste, o modelo proposto mostrou-se adequado ao esperado. Este modelo apresentou a seguinte razão psicométrica: 2/gl = 2.03, RMR = 0.04, GFI = 0.99, AGFI = 0.97, CFI = 0.98, NFI = 0.97 e RMSEA = 0.04 (0.02-0.05). Os escores relativos á hipótese estabelecida, revelou que os grupos sócio-normativos (Família, Familiares e Escola) associou-se (λ = 0,39), positivamente, aos hábitos de lazer lúdico e negativamente (λ = -0,21), as condutas antissociais e delitivas; na mesma direção, os hábitos lúdicos se associaram (λ = -0,26), negativamente, as condutas antissociais e delitivas. 


Por fim, em relação ao modelo 3, salientava-se que os hábitos de lazer hedonistas, influenciado pelos pares sócio-normativos, os quais influenciariam as condutas desviantes; efetuou-se o mesmo procedimento técnico verificado nos modelos anteriores e realizado as devidas modificações no ajuste do modelo, este revelou os seguintes indicadores estatísticos: 2/gl = 1.91, RMR = 0,05, GFI = 0,98; AGFI = 0,97, CFI = 0.98, NFI = 0.96, RMSEA = 0.00 (0.02-0.05). O peso associativo entre os grupos sócio-normativos (Família, Familiares e Escola) se associou negativamente (λ = -0,24) aos hábitos hedonistas e as condutas antissociais e delitivas (λ = -0,26), com estas ultimas variáveis se associados positivamente (λ = -0,27). 


A partir do que foi estabelecido, metodológica e estatisticamente, em relação aos modelos propostos, reflete-se quanto à importância da adesão dos jovens aos grupos sócio-normativos frente ao construto hábitos de lazer e suas respectivas dimensões (por exemplo, hábitos instrutivos, lúdicos e hedonistas) como explicação das condutas desviantes; nesta direção, destaca-se, especificamente, como fator de proteção para a conduta juvenil desviante, que uma adesão dos jovens a determinado conjunto de hábitos de lazer (especialmente, o lazer instrutivo e lúdico) estar associado a afiliação com grupos sócio-normativos, os quais, podem inibir as condutas desviantes (modelos 1 e 2). Por outro lado, apesar dos hábitos de lazer hedonista ser uma variável que, provavelmente, poderá contribuir para que o jovem manifeste uma conduta desviante, tais variáveis, poderão ser inibidas a partir a afiliação que os jovens venham ter com os seus pais, familiares e professores (modelo 3). 

De forma geral, o jovem que aderir a hábitos de lazer hedonistas, isto é, aqueles hábitos que se referem ao prazer individual e imediato como único bem possível do indivíduo para que alcance, unicamente, a fim de atender seus próprios objetivos, a probabilidade de apresentar uma conduta desviante é maior, pois teriam menor adesão afiliativa aos pares sócio-normativos; por outro lado, uma adesão a um hábito instrutivo, no que diz respeito ao desenvolvimento dos jovens em relação à transmissão, habilitação e ensino de conhecimentos frente a informação e cultura), bem como, ao hábito Lúdico, referido a uma diversão de caráter instrumental que pode ser experimentado sozinho ou em grupo, provavelmente, seria capaz de gerar uma socialização visando uma organização social e psicológica saudável.


Observando os resultados desse estudo, as variáveis tomadas como construto psicológico, diferentes da organização das variáveis (as quais, estabelecidas como observadas e não como construto) avaliadas por Formiga (2011), não somente contribuíram para uma avaliação dos indicadores estatísticos com uma lógica psicométrica, teórica e metodológica, mas, que estes foram melhores em seus resultados quando comparado ao do estudo supracitado. 


O fato é que, apesar de se observar uma preocupação quanto a existência de uma crise estrutural e funcional quanto a dinâmica e organização da família no mundo contemporâneo, ainda assim, é destaque a importância do vínculo com os grupos sócio-normativos (isto é, aqueles que seriam  responsáveis pelo controle do comportamento juvenil com o foco na contribuição, de forma contínua, para a formação social e normativa na vida dos jovens), não somente é capaz de influenciar o tipo de lazer que esses jovens possam viver, mas, também, seja de forma direta ou indiretamente, através desses hábitos, seria possível intervir nas condutas desviantes.


CONSIDERAÇÕES FINAIS 


Com esses resultados, chama-se atenção a uma melhor dinâmica do vínculo sócio-afetivo com os pares sócio-normativos, o qual poderá contribuir para o desenvolvimento psicossocial de si mesmo e das relações interpessoais com as pessoas e o contexto social do seu entorno; seja através de diversões instrumentais (passear de bicicleta, jogar vídeo games, etc. – com características lúdicas) ou aquelas que exigem investimento e dedicação à apreensão cultural e intelectual (leituras em geral – caracterizando instrução e formação), elas não apenas seriam capazes de intervir sobre as condutas desviantes, mas, teriam na dinâmica do lazer, o envolvimento da família e da escola em seu processo socializador de proteção com uma maior afiliação com esses pares, objetivando a uma melhor qualidade social e psicológica entre jovens e adultos (pais e professores).


Contudo, para isso, é preciso conscientizar na relação família-escola a necessidade de um trabalho gerado em cooperação entre essa relação. Por um lado, a escola, na figura do professor poderia acompanhar não somente os tipos, mas, também, qualidade na dedicação ao lazer de seus jovens, por outro lado, a família deve-se responsabilizar pela administração e monitoramento do desenvolvimento social das atividades de lazer no espaço privado e escolar dos jovens. 


Por fim, é óbvio que neste estudo não se pretende responder totalmente ao problema levantado; mas, a partir dos resultados reflete-se a respeito dos padrões sócio-humanos e culturais do envolvimento e inserção social nas práticas de diversão tendo como foco a dinâmica família-jovens-escola e as formas do estabelecimento e manutenção da diversão. Embora este modelo possa ser comprovado e apresentar direção teórica, metodológica e estatística melhor do que ao que propôs Formiga (2102), é necessário apontar algumas direções para futuros estudos, por exemplo, avaliar, considerando as variáveis aqui abordadas, as diferenças em diferentes tidos de escolas e seus investimentos esportivos; avaliar a associação entre os pare sócio-normativos e sua influência na orientação valorativa, nos hábitos de lazer e na conduta desviante; etc.


REFERÊNCIAS  

 

Byrne, B. M. (1989). A primer of LISREL: Basic applications and programming for confirmatory factor analytic models. New York: Springer-Verlag.

 

Formiga, N. S. (2011). Testagem de um modelo teorico entre pares sócio-normativos, atitudes do tempo livre e condutas deviantes. Revista de Psicologia da UNESP, 10, 151-170.

 

Formiga, N. S. (2012). Modelagem estrutural da escala de atividades de hábitos de lazer em jovens: Comprovação em diferentes contextos escolares no Brasil. Revista de Psicologia (Fortaleza), 3, 7-17.

 

Formiga, N. S. (2003). Fidedignidade da escala de condutas anti-sociais e delitivas ao contexto brasileiro. Psicologia estudo, 8 (2), 133-138.

 

Formiga, N. S.; Ayroza, I.; Dias, L. (2005). Escala das atividades de hábitos de lazer: Construção e validação em jovens. Revista de Psicologia da Vetor, 6 (2), 71-79.

 

Formiga, N. S.; Bonato, T.  N. ; Sarriera, J. C. (2011). Escala das atividades de hábitos de lazer em jovens: Modelagem de equação estrutural em diferentes contextos brasileiros. Temas em Psicologia, 19, 405-415.

 

Formiga, N. S.; Gouveia, V. V. (2003). Adaptação e validação da escala de condutas anti-sociais e delitivas ao contexto brasileiro. Revista Psico, 34 (2), 367-388.

 

Formiga, N. S.; Estevam, I. D.; Camino, C.; Mathias, A.; Santos, J. B. (2010). Montando o Quebra - Cabeça da Violência entre os Jovens: Testagem de um Modelo Teórico. In: I congresso internacional adolescência e violência: Perspectiva clínica educacional e jurídica. Brasilia - DF. [Resumo eletrônico].

 

Formiga, N. S.; Santos, L. M. S.; Viana, D. N. M.; Andrade, A. O.; Neta, A. B. S. (2009). Escala das Atividades de Hábitos de Lazer em Jovens Brasileiros: um estudo sobre sua estrutura fatorial. Endereço da Página WEB: www.psicologia.com.pt (Consultado em 15 de Janeiro de 2010).

 

Hair, J. F.; Tatham, R. L.; Anderson, R. E.; Black, W. (2005). Análise Multivariada de Dados. Porto Alegre: Bookman.

 

Joreskög, K. & Sörbom, D. (1989). LISREL 7 user's reference guide. Mooresville: Scientific Software.

Sanmartín, J. (2006). Que es esa cosa llamada violencia? Suplemento del boletín diario de campo, 1, 11-29.

 

Seisdedos, N. C. (1998). Cuestionario A – D de conductas antisociais – delictivas. Madri: TEA.

 

Stoff, D. M.; Breiling, J.; Maser, J. D. (1997). Handbook of Antisocial Behavior. Canada: John Wiley and Sons.

 

 

Van De Vijver, F.; Leung, K. (1997). Methods and data analysis for cross-cultural research. Thousand Oaks, CA: Sage Publications.


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